Espinheira-santa

Maytenus ilicifolia

 

Família: Celastraceae

Nomenclatura popular: Espinheira-santa

Parte utilizada/órgão vegetal: Folhas

Indicações terapêuticas: Antidispéptico, antiácido e protetor da mucosa gástrica

Contraindicações: Não deve ser usado durante a gravidez, lactação e em crianças menores de seis anos. Há indícios que o uso de espinheira-santa causa redução do leite materno. O uso interno da espinheira-santa é contraindicado durante a lactação.

Precauções de uso: Não deve ser usado durante a gravidez e lactação. Suspender o uso quando da realização de exames de medicina nuclear.

Efeitos adversos: Alguns casos raros de hipersensibilidade são descritos. Não foram relatados, até o momento, efeitos adversos graves ou que coloquem em risco a saúde dos pacientes utilizando extratos de M. ilicifolia nas doses recomendadas. Raramente, podem ocorrer casos de hipersensibilidade. Nesse caso, deve ser suspenso o uso e acompanhado o paciente. Nos estudos clínicos realizados foram descritos um caso de aumento do apetite com o uso do medicamento e um relato de mal estar indefinido, boca seca, gosto estranho na boca, náusea, tremor nas mãos e poliúria, mas isso ocorreu em sujeitos de pesquisa que receberam dosagens até 10 vezes maior que a usual humana. No estudo foi descrito redução do leite materno.

Interações medicamentosas: Nenhum estudo foi desenvolvido avaliando a interação de extratos de M. ilicifolia com medicamentos.A legislação brasileira não recomenda a administração concomitante de M. ilicifolia com bebidas alcoólicas e outros medicamentos.

Compostos polifenólicos podem ser precursores de quinonas ou de intermediários quinonametídeos que são inativadores das CYP. Da mesma forma, a pristimerina, um triterpenoide quinonametídeo também pode agir como inibidor da CYP alterando o efeito de diversos medicamentos.

Testes ex vivo mostraram que quercetina, kaempferol e outros compostos fenólicos podem modular a atividade da PgP (Fosfoglicolato fosfatase), alterando o metabolismo de outros medicamentos. Assim, plantas medicinais que os contenham devem ser evitadas por usuários de polifarmácia. Pode ocorrer interação com esteróides anabolizantes, metotrexato, amiodarona e cetoconazol, por possível dano hepático, e com imunossupressores por apresentar efeitos antagonistas.

Formas farmacêuticas: Cápsulas ou comprimidos contendo extrato seco.

Infuso: 3 g de folhas secas em 150 mL de água (q.s.p.).

Vias de administração e posologia (dose e intervalo):

Oral.Uso adulto e infantil acima de 12 anos. Extrato seco: tomar 860 mg de duas a três vezes ao dia.

Infuso: 3 g para 150 mL. Tomar 150 mL do infuso, logo após o preparo, três a quatro vezes ao dia.

Tempo de utilização: Não foram encontrados dados descritos na literatura consultada sobre o tempo máximo de utilização. O tempo de uso depende da indicação terapêutica e da evolução do quadro acompanhada pelo profissional prescritor. Estudo clínico avaliado propõe a utilização por 28 dias.

Superdosagem: Não há relatos de intoxicações por superdosagem de M. officinalis. Plantas ricas em fenóis totais, como a M. ilicifolia, quando usadas em doses excessivas, podem causar irritação da mucosa gástrica e intestinal, gerando vômitos, cólicas intestinais e diarreia.

Principais classes químicas: Terpenos, flavonoides, e taninos.

Informações sobre segurança e eficácia: Fitoterápico isento de prescrição médica.

Estudos Toxicológicos

Em dois estudos foram avaliados os efeitos de M. ilicifolia. Nos dois estudos não foram encontradas alterações significativas que pudessem contraindicar o uso da espécie vegetal. No primeiro o extrato não causou toxicidade, os voluntários não tiveram dificuldades em ingerí-lo e não relataram efeitos colaterais. Não houve alteração no ECG, nas dosagens bioquímicas, hematológicas e no exame  de urina em relação às dosagens basais.

No segundo estudo foi testado o extrato aquoso, seco por aspersão, Doses de até 2,0 g foram bem toleradas, sem apresentar efeitos tóxicos e nem eventos adversos significativos. Dentre os encontrados, os mais comuns foram: boca seca, náuseas, tremor nas mãos e poliúria. Não houve alterações na avaliação neuropsicológica, exames laboratoriais (hematológicos, bioquímicos, hormonais e de sais) e função renal e hepática.